Tem momentos em que a
inspiração se aproxima e sou preenchido por uma vontade inexplicável de me
expressar e tentar dar vida – sentido – a tudo que este encontro me proporciona
e desencadeia dentro de mim.
Vontade e necessidade de dar
letras a um texto não escrito, mas vivenciado e sentido dentro de mim em minha
vida e momentos. Dos meus pensamentos e sentimentos, que palpitam e pulsam, como
um coração que bobeia e recebe o sangue ao mesmo tempo.
Não sei se ela (a inspiração)
gosta da minha atitude carente em relação a sua chegada - pois assim como na
chegada de um parente distante que depois de muito vem nos visitar, eu fico
perto, encurralando sua atenção, e usufruindo daquela estadia tão magnífica.
Tomo cuidado para não abusar demais
de sua presença, mas sua própria presença abusa de mim na medida em que me
sinto a vontade para perguntar e buscar, e de fazer uma varredura de tudo que
este momento representa.
Quem dera se todos os seres
humanos expressassem suas vontades e pensamentos, e escrevessem suas aspirações em seus momentos
de ‘crise’, de sensibilidade e fragilidade.
A inspiração me visita e
aparece como um tutor, um mestre que me ajuda a organizar meu meio de campo e equilibrar
minha defesa e meu ataque; a olhar pra mim com uma visão panorâmica do que está
em campo na minha vida, e tudo que está de fora influenciando diretamente o
desempenho da partida no jogo da vida.
Tudo que está relacionado;
como espectadores da vida, como a torcida que tanto pode vaiar quanto elogiar e
apoiar o desempenho desse jogo.
Estar em campo é estar vivo, e
em uma partida tudo está interligado desde a torcida até a condição climática,
passando pelas táticas do time e a preparação física.
Encaro a vida como um campo
de luta e superação, e o que está relacionado - torcendo ou vaiando - são as
coisas de fora, como a nossa preocupação com nosso trabalho, nossa família,
nosso estado de espírito e tudo que causa influência em nossa serenidade em
campo. Nossas questões influenciam em
nossa vida.
Não quero eu abusar ou ser
inconveniente com a inspiração. Mas ela se demonstra tão solene e impessoal,
que a única forma que eu tenho de responder a este contato, é pondo para fora
todas as minhas aspirações e os espetáculos que vertem de dentro do meu íntimo.
Cada encontro com a
inspiração é como um momento de ausência de tudo que me cerca. É como a fuga da
fuga. É como desistir de desistir. É resistir, e viver.
Escrever se torna a minha
aceitação da realidade e organização da minha vida dentro da vida, e dos meus
próprios pensamentos.
A inspiração me traz chão, firmeza
e convicção.
Me faz agradecer a Deus por
saber que a partir do momento em que escrevo estou indo rumo ao caminho
autêntico, transparente e puro para com a vida.
Acredito que a inspiração
gosta de ser ‘paparicada’ e, assim como uma mãe ‘coruja’ adora receber elogios
(somente por receber), adora receber atenção pelo simples fato de receber. Isso
não altera sua postura, simplesmente acaricia e valoriza tudo que ela
representa e já fez por nós.
Obrigado inspiração por ser
minha musa inspiradora, minha quase terapeuta e grande amiga, minha mãe e pai,
minha companheira e conselheira; tutora e mestre.
Obrigado Deus por ter criado
a inspiração e nos permitir usufruir de sua existência.
Obrigado Deus. Obrigado vida.
obrigado cosmos.